Devaneios Pessoais - do blog de Kaoru Gabriel
Kaoru Gabriel: Alguém que vive em uma eterna noite escura, de amor em vivas ânsias inflamada... Um cara bobo, que se irrita com barulho, fica tímido numa multidão e se deixa levar pelo coração! Amante de uma boa música, de uma boa companhia e apaixonado por belas histórias de amor. As vezes um pouco exagerado no drama pra resolver os problemas da vida, mas que acredita que não há nada que não se resolva com 1 milhão de reais e uma cartela de Lexotan! 25 anos. Formado em História, especialista em História da Arte, Filosofia da Educação e estudante de Filosofia. Admirador de tudo que se refira as loucuras da mente humana.
"Eu sustento com palavras o silêncio do meu abandono." (Manoel de Barros)
segunda-feira, 27 de outubro de 2025
A Montanha da Verdade
A maior parte do seguinte texto foi transcrita da aula 422 do Seminário de Filosofia do Prof. Olavo de Carvalho, com adaptações minhas.
Olavo Luiz Pimentel de Carvalho (1947-2022) foi um jornalista e ensaísta conservador brasileiro que defendia posições esotéricas e ideológicas conspiratórias. Ele exerceu grande influência sobre a extrema direita brasileira e a família Bolsonaro.
As pessoas, em geral, não conseguem suportar situações que lhes pese a consciência por muito tempo. Ou se acostumam com ela ou lutam contra veementemente, não raras vezes, desenvolvendo neuroses no caminho. Não é difícil notar o ambiente opressivo em que vivemos, das mais diversas formas: a cada esquina alguém aparece com uma fórmula para salvar o mundo. Vivi isso muito recentemente quando, ao ir ao médico e ele apontar algumas deficiências no meu exame de sangue, as recomendações que recebi prontamente foram inúmeras: alguns disseram que eu deveria mudar minha dieta imediatamente e fazer exercício, outros disseram que o tratamento do médico, a reposição pontual daquilo que necessitava, era apenas um paliativo, e que eu devia buscar na medicina chinesa a alternativa natural para tratar todo meu ser. Comecei a tomar várias cápsulas de remédios naturais, na promessa de, equilibrar o organismo. Depois de algum tempo outra pessoa disse que isso não era natural o suficiente e que eu deveria preparar eu mesmo cada dose do que tomaria. E aí eu desisti ou, em pouco tempo, estaria numa fazendo cultuvando meu próprio alimento sem agrotóxicos e, ainda assim, com deficiência de vitaminas.
Bem, essa introdução é, na realidade, uma anotação. Meus estudos sempre foram baseados na minha memória, mas, recentemente, tenho visto um declínio da mesma, e como esse tema me é caro, quis condensar aqui alguns ensinamentos do Prof. Olavo, de modo que, uma vez registrados, possa voltar a eles mais tarde.
Com exceção do próprio Professor, nunca ouvi ninguém falar sobre o Monte Veritá. Como introdução a esse tema ele indica no livro do Hermann Hesse, "Pequeno Mundo", em que há um conto chamando O Reformador do Mundo, contendo um resumo bastante esquemático da experiência que o próprio autor teve nesse lugar e que, de certo modo, revela também a experiência que muitos tiveram, revelando muito sobre o espírito da época. Não sendo um dos grandes escritos dele, é esquemático demais, dando a impressão de que ele anotou o assunto para retomar depois, servindo como documentação para esse estudo. De modo ainda mais recente, o filme Midsommar também revela, pelo menos até a metade, algo do que é dito na obra de Hesse.
O conto diz respeito de um jovem que se forma na faculdade de Belas Artes com o desejo de se tornar um crítico de arte, e acaba se decepcionando com a vulgaridade do meio que encontrou, sendo que ele desejava ter contato com a alta expressão de valores autênticos. Ao mesmo tempo então em que ele conhece uma moça muito culta e séria com quem tem longas conversas e por quem acaba se apaixonando, ele também toma conhecimento de uma série de comunidades que propõe um novo estilo de vida, estilo esse que se caracteriza pelo vegetarianismo, pela liberdade sexual, por alguns pendores anarquistas e socialistas, tudo junto, e que se distinguem do resto da sociedade por meio de sua indumentária: usam túnicas no estilo romano, sandálias feitas ali mesmo e que tentam voltar a uma espécie de simplicidade natural, ou que lhes parecia natural.
Essa busca do retorno à natureza é uma coisa que sempre reaparece, como observou muito bem o historiador Martin Green, que todo fim de século retorna esse tema da volta à natureza. Então em 1790, 1890, em 1990 de novo. Por outro lado, a próprio preocupação com o espírito da época é um sinal do espírito da época, porque nós não temos sinal de nenhuma outra época, anterior ao século XVIII, que se preocupasse com o seu próprio espírito: qual é o sentido desta época, para onde nós estamos indo? E, sobretudo, esse hábito de falar em nome da humanidade, usando o, a primeira pessoa do plural: "Nós estamos indo. Nós estamos experimentando isto." "Nós" quer dizer, vagamente, a humanidade inteira, mas não temos o menor sinal de que as pessoas que falam dessa maneira, tenham pesquisado a opinião pública para saber se todos nós pensamos assim. Então, fica no ar a famosa pergunta: "a gente quem, cara pálida?" Uma coisa pode ser boa para você mas o outro pode estar sentindo outra completamente diferente. Portanto esse estilo de avaliar a nossa situação como o espírito da época se torna ele próprio um sinal da época. E isso se repete de tempos em tempos e tem se tornado uma constante cada vez mais intensa. O número de pessoas que falam a respeito do nosso destino, das nossas vidas é cada vez maior.
Curiosamente o Monte Veritá foi uma experiência que condensou praticamente todos os movimentos revolucionários, reformistas de tipo Nova Era do século XX. Apesar de tudo, ele nunca foi objeto de estudo como deveria. Claro que há alguns historiadores se dedicam a isso mas são poucos. Na maior parte dos casos, costumam olhar isso mais como um treco exótico: como se fossem um bando de malucos. Mas, se você observar as prospostas desse bando de malucos, elas se repetem ao longo do tempo. E até hoje, essas mudanças propostas por eles, continuam recebendo um investimento cada vez maior de poder e de dinheiro por parte de grandes fortunas. Então, parece que os malucos não são tão malucos assim não é? Alguém decidiu levá-los a sério ao menos na sua natureza prática, mas não no aspecto do estudo. Então aquilo que os historiadores desprezam, os grandes donos do poder tipo George Soros, Bill Gates, Bilderberg estão levando muito a sério e investindo muita coisa ali.
Então, Monte Verità, a Montanha da Verdade, foi uma comunidade naturista, vegana ocultista, artística, erótico, nudista, revolucionária, fundada em 1900 no topo de uma colina de 300 metros de altura, na modesta Vila de Ascona, Condado de Ticino, Suíça, por Henry Oedenkoven, filho de um industrial Holandês, e sua amante Ida Hofmann.
Quem primeiro falou ao Professor dessa comunidade foi a célebre astróloga germano-brasileira Emma de Mascheville. Mascheville é o nome francê que ela pegou do marido, originalmente era Emma Brepohl e que, como sobrinha de Ida Hofmann passou ali parte da sua infância, abrilhantada pela convivência com artistas e pensadores, gênios e malucos de toda a sorte, entre os quais, Carl Gustav Jung, Hermann Hesse, Isadora Duncan, o príncipe anarquista Kropotkin, Rudolph Steiner, Max Weber, Rudolf Laban, Gustav Stresemann, que viria a ser o chanceler da Alemanha por 102 dias durante a malfadada República de Weimar, Prêmio Nobel da Paz 1926. E o igualmente malfadado psiquiatra e psicopata, Otto Gross. Otto Gross foi visto durante algum tempo por Freud como o seu sucessor na liderança do movimento psicanalítico, mas depois acabou se metendo em encrencas cada vez mais complicadas, estragando a sua reputação.
Embora o fenômeno fosse intensamente atraente pelo peso histórico dos personagens envolvidos, poucos se deram conta que ali se concentravam pela primeira vez numa mixórdia esplêndida os germes dos principais estilos artísticos e literários, modas culturais e correntes políticas que viriam marcar a história do ocidente no século XX e continuam a marcar até hoje. Foi como se todas as angústias, todas as insatisfações, todas as correntes da rebelião política, estética, religiosa e sexual, se avolumavam em segredo por baixo da ordem aparente da Europa industrializada e racionalizada, tivessem atraído como por afinidade mágica, se concentrado em um só ponto do globo para dali se espalhar por todos os continentes. Os ventos de mudança que ali convergiam sopravam em todas as direções. Malgrado suas incongruências e incompatibilidades internas, o programa ostentava, em unidade, as suas pretensões como nada menos que a reforma da vida, não se trata de uma reforma política ou de um regime, mas a reforma da vida!
Os moradores da comunidade, e visitantes, já que nem todos moraram mas ali passaram algum tempo, enxergava na sua montanha uma das pontas do eixo do mundo, Axis Mundi, o lugar certo para começar uma nova humanidade (ou um novo inferno). O significado profundo desse movimento e a vastidão profunda das consequências que simbolicamente anunciava, não se deixam apreender sem um recuo de muitos séculos: a história do Monte Veritá começa em verdade no tempo das catedrais.
O Monte Veritá aparece em dois lugares ao mesmo tempo. Por um lado Munique, no sul da Alemanha e capital da Bavária, num movimento intelectual e artistisco muito intenso e foi dali que surgiu a ideia do Monte Verità. Então, pessoas que falavam bonito, trocavam experiências e acabavam indo para o Monte Verità ou comunidades semelhantes, pois houve outras também ali ao redor. Uma delas fundada pelo próprio Bakunin, o líder anarquista. Mas não eram uma comunidade como essa que houve no Brasil, Colônia Cecília, que era formalmente anarquista. Ali era anarquista do sentido muito mais amplo do que o anarquismo político. Era um anarquismo político, religioso, sexual, ético...
Recuando historicamente, é possível entender como foi possível dentro da evolução histórica europeia, chegaa a esta, esta situação.
Percorrendo as gravuras do livro maravilhoso em que o arquiteto Louis Charbonneau-Lassay colecionou as imagens de animais que, nos templos católicos da Idade Média, representavam a figura do Cristo, temos um vislumbre de uma época para a qual a sentença "os céus e a Terra celebram a glória de Deus", ainda tinha um sentido concreto e presente. Além do bestiário, Charbonneau-Lassay pretendida ainda compor um florilégio e um lapidário, não só os bichos, mas também as flores e as pedras eram a manifestação visível da presença divina. Essa concepção não era só estética, mas científica, como se vê nas obras de Santo Alberto Magno, por exemplo.
Só o espírito mesquinho das épocas subsequentes podem ter enxergado na alquimia um antepassado grosseiro da Química moderna, como expediente de falsários empenhados em fabricar ouro. Ela era claro, na verdade, uma ousada tentativa de sondar a ação do espírito na matéria por meio de uma rede intrincada de forças intermediárias, entre as quais, obviamente, as influências dos astros. Santo Tomás de Aquino, seguindo o seu mestre Alberto Magno, afirma resolutamente que Deus move todos os corpos inferiores por meio dos superiores, os quais, agindo sobre o corpo humano, podem conquistar as operações da inteligência e despertar paixões capazes de alterar significativamente a sua conduta.
Considero um ato de subserviência intelectual à modernidade a tentativa de C.S. Lewis de revalorizar a estetica e a simbólica medieval, sem nem por um instante admitir que houvesse nela algo mais que uma beleza desprovida de verdade, como está no livro The Discarded Image: An Introduction to Medieval and Renaissance Literature. Não há dúvidas de que, quando ele chamou René Guenon de charlatão, houvesse uma ponta de respeito pela compreensão superior que o escritor francês tinha do simbolismo. René Guenon foi um agente do imperialismo islâmico mas nunca um charlatão.
O advento do cristianismo não aboliu a antiga visão pagã de um universo cheio de deuses, como chamava Heráclito, apenas reorganizou a sua realidade caótica de forças sutis da natureza num todo sinfônico, em que se ouvia por toda parte sobre formas infinitamente variáveis a mensagem de Deus. Nesse mundo repleto de vozes, o homem da Europa Cristã não se sente apenas ligado ao ambiente material numa rede significados, mas também por um elo vital a todos os outros membros da espécie humana. Johan Huizinga, no clássico Outono da Idade Média, relata que, nas cidades da Europa medieval, os menores acontecimentos, como uma viagem ou o nascimento de um bebê, davam ocasião a grandes explosões de emoção coletiva. A execução de um delinquente, o carrasco abraçado ao condenado pedia-lhe perdão entre os olhos da multidão que chorava copiosamente. O pecado não era considerado uma anormalidade, mas o destino comum da espécie humana e não convidava ao desprezo, mas a piedade. Era frequente que os pecadores contumazes terminassem sua vida no mosteiro, buscando a redenção pela prece. Separadas pela estratificação social, raças e classes, reunidas pela emoção religiosa, pela submissão aos sacramentos, por atos públicos de subsistência e nas Cruzadas pela solidariedade guerreira entre nobres e plebeus.
Vários fatores contribuíram para quebrar a unidade do Imaginário Cristão e aprisionaram os homens no mundo banalizado e opressivo no qual algumas almas insatisfeitas viriam buscar refúgio no Monte Veritá. O mais decisivo desses fatores veio, é claro, da ciência.
No seu livro Il Saggiatore de 1623, Galileu Galilei introduz uma distinção entre as qualidades primárias e secundárias dos corpos. Aquelas, a grandeza, proporções, o peso, o movimento, a posição, existiam nos corpos em si mesmos, e ainda tinham a vantagem de poderem ser representadas matematicamente. As segundas, como a cor, o gosto, o som, o cheiro, dependiam do observador humano e eram, portanto, subjetivas. Galileu chega a afirmar que objetivamente elas nem existem, são "produtos da nossa imaginação". A distinção, sem maiores discussões, foi aceita por Descartes, Hume, Berkley e Locke, incorporando-se ao vocabulário da filosofia natural e depois ao senso comum, no sentido gramsciano da humanidade ocidental. As consequências foram portentosas: de um só lance o universo inteiro dos objetos sensíveis tornava-se duvidoso. Só restando de certo e confiáveis as suas propriedades matemáticas. Era o mesmo que dizer a humanidade inteira, o conjunto dos homens naturais viviam num mundo ilusório. Só os cientistas com sólida formação matemática é que estavam firmemente instalados no real.
Com essa bifurcação, como chamou o professor Wolfgang Smith, Galileu abolia a concepção aristotélica segundo a qual todos os corpos são compostos de matéria e forma e se distinguem uns dos outros pela forma, significativamente. A forma não entra na lista galilaica, nem das qualidades primárias, nem das secundárias. Ambos os tipos de qualidades são sensíveis, mas o sentido se desprovido do auxílio matemático, já não são testemunhas confiáveis da realidade dos objetos.
Essa bifurcação inaugurou a era do fenomenismo, em que a humanidade vive perdida entre meras aparências, sem poder apreender a verdadeira realidade, quer ela seja constituída de arquétipos matemáticos, quer seja admitida, como será com Kant, um mistério inacessível. Malgrado a sua utilidade prática para as ciências físicas e malgrado o prestígio quase sagrado de que ainda desfruta na imaginação popular, a distinção era de uma grosseria incomparável. A forma, no sentido aristotélico, não é só o formato visível dos objetos, mas a sua formula, o seu algoritmo, a sua lei de proporcionalidade intrínseca, como chamava Mario Ferreira dos Santos, a qual faz com que eles sejam o que são e não outra coisa.
Se entendermos isso é lógico e inevitável que cada objeto possua junto das suas qualidades primárias, uma capacidade determinada para emitir sinais que, captados diferentemente por observadores distintos, conforme as respectivas estruturas do deu aparato de percepção, nem por isso deixa de refletir na variedade mesma das impressões que produzem a unidade interna do objeto emissor. Mesmo que um objeto possa emitir diferenres sinaus para diferentes receptores conforme a estrutra de percepção de cada um deles, nem por isso deixa de haver uma unidade na fonte emissora. Por exemplo: a azaleia parece vermelha, porque o nosso aparato de percepção capta assim os raios luminosos que batem em cima dela nos emitem então o sinal, mas um outro bicho pode enxergar uma coisa diferente, um mosquito, por exemplo, não acha que a azeleia seja vermelha, mas alguma outra coisa. Mas de onde estão vindo esses sinais para mim e para o mosquito? Da mesma azaléia. Galileu então confunde a multiplicidade dos sinais emitidos para diferentes observadores e receptores com objetivismo e subjetivismo. E não tem absolutamente nada que ver uma coisa com a outra. Muitos desses sinais e a sua variação, conforme o meio luminoso, espacial e acústico, são hoje mensuráveis e matematizáveis, provando que aquelo Galileu considerava como subjetivo, era perfeitamente real e objetivo.
O erro da concepção galilaica é quase nada comparado a vastidão das suas consequências culturais. Edmund Hurssel assinalou que a troca dos objetos da percepção real pelo seus esquemas matemáticos levou a inumeráveis becos sem saída na filosofia e na ciência, mais seu efeito principal e imediato é bloquear o acesso à simbologia Cristã. Se os objetos percebidos são os dados quantitativos reais, o resto só poderia ser simbólico na imaginação de poetas e malucos. O imenso sistema da cosmologia medievial reduzia-se até assim a um mero dicionário de figuras de linguagem. Ou seja, esta simbólica toda não estava na natureza, estava na imaginação das pessoas que olhavam a natureza e concebiam-nas. Em vez então de um simbolismo natural, nós temos um produto cultural.
Se o céu e a terra cantavam a glória de Deus, isso não tinha mais valor que as fantasias de um bêbado. O impacto dessa mudança foi ainda mais profundo nos países de confissão protestante, onde o ascetismo cognitivo de Galileu se mesclava a dois outros fatores para gerar o ambiente seco e severo do mundo burguês. Em primeiro lugar, o ascetismo visual que condenava como idolátrica a devoção as imagens, e de um só golpe deu um ponto final na experiênci da arte sacra medieval. Se as igrejas católicas eram como livros que produzem formas visíveis de toda uma cosmologia, os templos protestantes eram apenas lugares de reunião, sem nenhum significado particular. Até hoje é assim e a coisa ainda ficou pior: esse mesmo estilo protestante invadiu também o meio católico. Hoje, qualquer edifício pode servir, porque ele não precisa obedecer a regras da simbólica cristã. Ele não precisa, em si mesmo, significar nada. Ele pode criar coisas como, por exemplo, aquela horrível Catedral de Brasília, que é um cacho de banana virado de cabeça pra baixo, e dizer que é uma catedral. Aprofundando esse assunto fica a indicação da leitura do livro do Michael Rose, Ugly As Sin que mostra o que fizeram com arquitetura sacra do mundo moderno.
A confluência dessas duas linhas de força que são totalmente independentes, por um lado, a ciência galilaica com a sua redução das aparências sensíveis como produto da imaginação humana e, por outro, o ascetimso o visual protestante que suprime a as imagens, suprimindo portanto, toda a estética do templo Cristão. Qualquer catedral da idade média poderia ser lida durante meses e seu conteúdo nunca acabaria. Ela contémm todo um sistema cosmológico, toda a complexidade de uma riqueza extraordinária. Tanto que se pode dizer que praticamente toda a doutrina cristã está ali gravada em pedra. E isso não era assim, só porque as pessoas queriam, mas por que o próprio templo deveria documentar na sua existência física, aquilo mesmo que ele estava veiculando. Essa unidade do sentido, da forma e da experiência religiosa, tudo isso se perdeu graças a essa confluência de fatores.
A simbólica não desapareceu só da imaginação popular, mas do próprio quadro terrestre. Em segundo lugar, o predestinacionismo, que separando antecipadamente os eleitos e os condenados. Mas sem que houvesse meios de distinqui-los na vida real, só deixava ao crente a alternativa de comportar-se em público como se fosse um dos eleitos para evitar escândalo. Tornava-se então uma obrigação. Se não temos como saber se estamos eleitos ou danados mas, se eu me comportar como um danado, eu estou dando mal exemplo, então, daí eu estou danado mesmo. Então, eu tenho que me comportar como se fosse um dos eleitos, ainda que eu seja um dos danados.
A solidariedade dos santos, e dos pecadores, no sofrimento comuns do destino humano era substituída pela convivência ascética entre os eleitos que cultivavam um sacrossanto horror aos desviantes e dos réprobos. Toda a origem do moralismo é essa, ao passo que na Idade Média tinha-se toda uma mistura, uma mixórdia de santos e pecadores numa proximidade muito grande. As histórias de conversões de ladrões, assassinos, as cenas de arrependimento público, tudo isso era muito comum na idade média. De repente, não, aqui estamos nós e lá os pecadores e não nos metemos com eles.
A moral tornava-se, assim, indistinguível da decência, da austeridade no traje e na conduta, da polidez, das boas aparências. Instantaneamente a Europa se recobre de pessoas vestidas de preto. Um traje asltero sem todos aqueles adornos, aquela parafernália. Adornos que não eram só da nobreza medieval mas que marcavam toda uma estrutura de classe: pelo traje era possível saber qual era a origem social de um sujeito e até sua ocupação. Tudo isso daparece. Cria-se uma uniformidade do traje, pelo menos entre as pessoas desse certo nível social. Tudo aquilo que na era moderna, sobretudo nos meios germânicos, anglo-saxônicos, mesclando-se ao pretígio crescente da ciência da Medicina viria a formar a imagem da normalidade. Essa mesma ideia de normalidade se for buscada na Idade Média não existia, não era anormal um sujeito ser louco. Toda cidade tinha seu louco. E um sintomas visíveis disso foi a mudança na indumentária. Os trajes da antiga nobreza, com seus adornos, brasões e tecidos multicoloridos, eram uma árvore genealógica, onde o observador podia identificar imediatamente pelo signo hieráldico a posição social do indivíduo, seu dever de estado e até a história da sua família. De repente, tudo isso desaparecia, sendo substituído pela uniformidade asltera dos trajes negros. Um pastor só se distinguia de um comerciante ou de um funcionário civil por algum sinal discretíssimo, por trazer uma Bíblia debaixo do braço, enquanto o outro podia trazer um livro de contabilidade.
A moderna psiquiatria assinala com um dos primeiros sinais da síndrome depressiva a desimaginação, o empobrecimento do imaginário. Como uma espécie de compensação, a imaginação se volta mais para o mundo das emoções individuais. Aí começa o gênero romântico, investigando mais as coisas da alma individual, da a intimidade, e começamos a entender de que estavam fugindo os primeiros autores e exilados alemães do Monte de Verità.
Mas a coisa não para por aí. Da antiguidade até o fim da Idade Média, os governantes, reis e imperadores, só eram reconhecidos quando sagrados pela igreja, em consonância com a noção tradicional de que Jesus dera a Pedro, e a mais ninguém, as chaves dos dois reinos: a autoridade espiritual e o poder temporal. Lutero e Calvino, que haviam rejeitado a autoridade da Igreja e não aceitavam nem mesmo a ideia de um clero, muito menos a sucessão apostólica, não tiveram remédio senão concluir e espalhar que a autoridade dos governantes civis vinha diretamente de Deus, sem intermediarios. Ironicamente, mais tarde, seus discípulos inventaram, e até hoje a massa evangélica americana acredita piamente, que a Igreja Católica havia inventado o direito divino dos Reis do qual a humanidade sofredora foi libertada pela reforma. Acontece que foi a Reforma Protestante que inventou isso. Elevando assim ao sétimo céu o poder e a soberba dos governantes e, ao mesmo tempo, as igrejas protestantes, apregoando a livre interpretação pessoal da Bíblia, em vez da obediência ao Magistério e à Tradição, se esfarelava em mil seitas diversas, desarmando-se pela posterioridade contra o monstro que elas mesmas haviam criado. Colocando o governante como enviado de Deus, quando esse governante começa a oprimir o povo, já não se tem uma igreja unificada para reagir, e sim mil seitas separadas.
Não espanta que, daí por diante o Estado Nacional foi ampliando cada vez mais seu raio de ação e usurpando áreas que, antigamente, estavam submetidas ao sagrado, como a educação e a moral. A filosofia que, nos séculos subsequentes, passou a se desenvolver na Alemanha protestante, concorreu decisivamente para que esse resultado e decerto nem Lutero e nem Calvino não o previram nem mesmo em sonho. Immanuel Kant, 1724-1804, cavou mais fundo o abismo que Galileu havia aberto entre o conhecimento humano e o mundo. Ele acreditou ter descoberto que tudo que conhecemos reflete apenas a estrutura do nosso modo de perceber e pensar, e não necessariamente as coisas mesmas. Ele não negava a existência dessas últimas, mas afirmava que só podemos conhecer aquilo que nos chega, seja pela experiência sensível, que é determinada pela forma dos nossos órgãos de percepção, seja pelo nosso pensamento, que não produz senão esquemas formais derivados da estrutura da nossa razão. Nos dois casos, as coisas em si, isso é, as coisas consideradas independentemente do observador humano, ficavam de fora. Resultado: não há mais um conhecimento objetivamente verdadeiro, ficando o conhecimento adequado às exigências da razão tomado no seu mais alto patamar de desenvolvimento na situação dada.
Isso consolidava, de uma vez por todas, o poder da classe científica com o detentora do único conhecimento válido, enquanto os demais homens andavam às tontas num mundo de aparências. Completando e, ao mesmo tempo contestando Kant, George Hegel observou: a mais alta e desenvolvida expressão da razão humana não eram as ciências e sim o Estado, do qual o sistema inteiro das ciências era apenas parte e instrumento. E a ideia pegou. Até a destruição do país por duas guerras mundiais, o sonho de todo alemão dotado de algum QI, era tornar-se um servidor competente da máquina estatal, seja como funcionário da administração, da Justiça, da polícia, seja como um oficial das Forças Armadas, seja com professor universitário e cientista.
Havia ainda outra implicação: não sendo possível conhecer as coisas em si, muito menos se poderá saber algo do que estivesse para além dos limites da experiência sensível, Deus, os mundos espirituais e imortalidade da alma. Mas dizia que devíamos acreditar nessas coisas, ou pelo menos agir como se acreditássemos, era obrigação de todos. Ou seja, nós não podemos conhecer nada a respeito de Deus, da imortalidade da alma, mas nós temos que acreditar nessas coisas, porque se não acreditarmos, não seremos suficientemente humanos. Então, ele impõe como uma obrigação moral aquilo que ele mesmo disse que é cognitivamente impossível.
Kant levava, assim, às últimas consequências a redução protestante da religião à moral e da moral à decência. Então as nossas ideias sobre a imortalidade da alma, sobre Deus, não tem fundamento cognitivo algum, mas tem um fundamento moral, então a moral está acima de tudo, até mesmo do conhecimento da realidade. A conduta do homem decente, o cumpridor dos seus deveres, refletir-se no sucesso dos seus empreendimentos, autorizando-o, caso fosse religioso, a sentir-se como um dos eleitos. E caso não fosse, a ser bem aceito na sociedade, onde a conduta do crente e do ateu unificada no culto comum da decência e marcado pela mesma rigidez intransigente na defesa das aparências não se distinguiam significativamente uma da outra.
Na segunda metade do século XIX o progresso econômico fez a Alemanha, unificada em 1871, o país mais industrializado e rico da Europa, com um exército terrível com seu prestígio fortalecido pela vitória na guerra contra a frança em 1870 e 1871, um stablishment acadêmico-científico que acumulava glória sobre glória, uma população crescente que subia mais 50 milhões de habitantes, a influência cultural política e econômica da alemanha dominaram a vasta área entorno abrangendo o império austro-húngaro e uma variedade de povos como húngaros, servo-croatas, poloneses, e tudo isso elevava às nuvens a empáfia da burguesia dominante e seu sistema de valores morais a aparência de uma fortaleza, uma prisão indetrutível.
Isso pode ser observado no livro do Jakob Wassermann, O Processo Maurizius, onde o personagem, o jovem Etzel Andergast é filho de um desses potentados, juiz de direito ou alguma coisa assim, e ele percebe que tem alguma coisa errada nesse mundo mas não sabe direito o que é.
Os muros da prisão, no entanto, tinham algumas rachaduras. A mais visível é a resistência socialista que, aliada ao partido católico do barão e bispo Emmanuel von Ketteler, conhecido como "Bispo dos Trabalhadores" chegou a conseguir algum poder político e bloquear a guerra cultural do Príncípe Bismarck no esforço organizado do governo para erradicar na Alemanha toda influência da Igreja de Roma. Mas o catolicismo continuou minoritário e nem um arranhão fez na religião civil do patriarcalismo. A Igreja, conseguiu defender o seu território, mas não mudou nada no conjunto.
A segunda rachadura era mania ocultista e teosófica que se espalhavam nas faixas letradas como uma reação quase instintiva ao culto burguês da razão, da ciência, da tecnologia e do progresso econômico, chegando mesmo a ganhar a simpatia de algumas estrelas no universo acadêmico. Ficaram célebres as sessões de espiritismo em que os médiuns juravam provar a existência do mundo espiritual por meio de mensagens recebidas do além. A partir de 1875, nada menos que duzentos e nove clubes de ocultismo foram fundados nas principais cidades alemãs, compartilhando suas atividades com sessenta e nove empresas comerciais dedicadas à astrologia, radiestesia, leitura de mãos, magnetismo e etc. Intimamente associadas a esse movimento apareceram várias clínicas de cura natural geralmente baseadas no vegetarianismo estrito, em que até ovos, leite e peixes eram proibidos. As escolas doutrinárias variavam muito, incluindo a ariosofia, que associava a vida natural à pureza da raça e deveria ter uma influência, aliás, modesta, na ideologia nazista.
Por toda a parte ecoava, a partir desse ambiente o apelo da “volta à natureza”. O livro "Fruit and Bread: A Scientific Inquiry into the Origin of the Human Diet", escrito por Gustav Schlickeysen, médico de Hanover, chegou a fazer sucesso até na América. Pregava total abstinência de carne, álcool, fumo e café, assim como recomendava homeschooling e a troca geral do vestuário burguês por saiotes. Infelizmente, a única foto localizada desse autor mostra-o num traje convencional, a imagem viva da descência germânica.
Na onda do retorno à natureza pareceram também inúmeras comunidades rurais cujos habitantes vestiam túnicas bíblicas, calçavam sandálias e se alimentavam somente de vegetais crus. A mais famosa foi a dos pintores Karl Wilhelm Diefenbach e Hugo Hoppner, ou a de Gusto Gräser que, após cumprir cinco meses de cadeia por fugir ao serviço militar, após se dedicar a uma vida errante na qual transitou por algumas dessas comunidades, tornou-se uma dessas figuras estelares do Monte Veritá.
Com isso é possível entender todo o ambiente psicológico preparado ao longo de séculos, que criou num determinado lugar do cosmos, essa ânsia por fugir para uma natureza idílica, na verdade totalmente imaginária e que não tem absolutamente nada de natural. Por exemplo, algo que se entenda como natural é o primitivo, aquilo que é mais antigo. Mas, por mais que se recue no tempo, não se encontrará nenhuma comunidade humana que praticasse ao mesmo tempo, a liberdade sexual e o ascetismo gastronômico — isso nunca existiu, isso foi realmente inventado na Alemanha com o nome de natural mas, não tem nada de natural, nem no sentido biológico, e muito menos no sentido histórico. Pior ainda: dessa época se originam uma infinidade de confusões psicológicas e morais que ainda são o tecido da nossa vida cotidiana, especialmente no que diz respeito à moral sexual.
Hoje em dia a moral sexual cristã é abertamente desafiada, não só por comunidades como essa, mas por governos, por potentados das finanças. Esse pessoal do Monte veritá percebeu que havia algo de errado na sociedade industrializada, racionalizada, e imediatamente inventou uma saída, uma solução, sem parar um minuto para pensar de onde veio tudo isto. Essa história, que vem desde a Idade Média até aqui, foi totalmente ignorada por todos os membros do movimento. Esse se tornou um dos traços típicos da cultura moderna: fazer proposições de soluções para problemas que simplesmente não se estudou, e não se quer saber como surgiram. Isso denota uma alienação francamente psicótica: se você não sabe qual é o problema, vai errar na solução, e evidentemente, se adotada, essa solução vai agravar o problema e fazer surgir novos, entendidos menos ainda.
Automatische ungeprüfte Übersetzung ins Deutsche:
Persönliche Gedanken aus dem Blog von Kaoru Gabriel
Kaoru Gabriel: Jemand, der in einer ewigen dunklen Nacht lebt, voller lebhafter Sehnsucht nach Liebe... Ein alberner Typ, der sich über Lärm ärgert, in einer Menschenmenge schüchtern wird und sich von seinem Herzen leiten lässt! Liebhaber guter Musik, guter Gesellschaft und schöner Liebesgeschichten. Manchmal etwas übertrieben dramatisch, wenn es darum geht, die Probleme des Lebens zu lösen, aber er glaubt, dass es nichts gibt, was man nicht mit einer Million Reais und einer Packung Lexotan lösen kann! 25 Jahre alt. Abschluss in Geschichte, Spezialist für Kunstgeschichte, Bildungsphilosophie und Student der Philosophie. Bewunderer von allem, was mit den Verrücktheiten des menschlichen Geistes zu tun hat.
„Ich halte mit Worten die Stille meiner Verlassenheit aufrecht.“ (Manoel de Barros)
Montag, 27. Oktober 2025
Der Berg der Wahrheit
Der größte Teil des folgenden Textes wurde aus der Vorlesung 422 des Philosophieseminars von Prof. Olavo de Carvalho transkribiert und von mir angepasst.
Olavo Luiz Pimentel de Carvalho (1947–2022) war ein brasilianischer konservativer Journalist und Essayist, der esoterische und ideologische Verschwörungstheorien vertrat. Er übte großen Einfluss auf die brasilianische extreme Rechte und die Familie Bolsonaro aus.
Im Allgemeinen können Menschen Situationen, die ihr Gewissen belasten, nicht lange ertragen. Entweder gewöhnen sie sich daran oder sie kämpfen vehement dagegen an, wobei sie nicht selten Neurosen entwickeln. Es ist nicht schwer, das bedrückende Umfeld zu erkennen, in dem wir leben, und zwar in den unterschiedlichsten Formen: An jeder Ecke taucht jemand mit einer Formel zur Rettung der Welt auf. Ich habe dies erst kürzlich erlebt, als ich zum Arzt ging und er einige Mängel in meinem Bluttest feststellte. Die Empfehlungen, die ich sofort erhielt, waren zahlreich: Einige sagten, ich solle sofort meine Ernährung umstellen und Sport treiben, andere sagten, die Behandlung des Arztes, die punktuelle Ergänzung dessen, was ich brauchte, sei nur ein Notbehelf, und ich solle in der chinesischen Medizin nach einer natürlichen Alternative suchen, um mein ganzes Wesen zu behandeln. Ich begann, mehrere Kapseln mit Naturheilmitteln einzunehmen, in der Hoffnung, meinen Körper ins Gleichgewicht zu bringen. Nach einiger Zeit sagte mir jemand anderes, dass dies nicht natürlich genug sei und ich jede Dosis, die ich einnehmen würde, selbst zubereiten sollte. Da gab ich auf, denn sonst hätte ich mich bald auf einem Feld wiedergefunden, wo ich meine eigenen Lebensmittel ohne Pestizide anbauen würde, und hätte trotzdem noch einen Vitaminmangel gehabt.
Nun, diese Einleitung ist eigentlich eine Notiz. Meine Studien basierten immer auf meinem Gedächtnis, aber in letzter Zeit habe ich einen Rückgang desselben festgestellt, und da mir dieses Thema sehr am Herzen liegt, wollte ich hier einige Lehren von Prof. Olavo zusammenfassen, damit ich, sobald sie festgehalten sind, später darauf zurückkommen kann.
Außer dem Professor selbst habe ich noch nie jemanden über den Monte Veritá sprechen hören. Als Einführung in dieses Thema verweist er auf Hermann Hesses Buch „Kleine Welt”, in dem es eine Erzählung mit dem Titel „Der Weltverbesserer” gibt, die eine sehr schematische Zusammenfassung der Erfahrungen enthält, die der Autor selbst an diesem Ort gemacht hat und die in gewisser Weise auch die Erfahrungen vieler anderer offenbart und viel über den Zeitgeist verrät. Da es sich nicht um eines seiner großen Werke handelt, ist es zu schematisch und vermittelt den Eindruck, dass er das Thema notiert hat, um es später wieder aufzunehmen, und es als Dokumentation für diese Studie dient. Noch jüngeren Datums ist der Film Midsommar, der zumindest bis zur Hälfte etwas von dem offenbart, was in Hesses Werk gesagt wird.
Die Erzählung handelt von einem jungen Mann, der sein Studium an der Kunsthochschule mit dem Wunsch abschließt, Kunstkritiker zu werden, und schließlich von der Vulgarität des Milieus, das er vorfindet, enttäuscht ist, da er sich den Kontakt mit dem hohen Ausdruck authentischer Werte wünscht. Zur gleichen Zeit lernt er eine sehr gebildete und ernsthafte junge Frau kennen, mit der er lange Gespräche führt und in die er sich schließlich verliebt. Gleichzeitig erfährt er von einer Reihe von Gemeinschaften, die einen neuen Lebensstil propagieren, der sich durch Vegetarismus, sexuelle Freiheit, einige anarchistische und sozialistische Tendenzen und die sich durch ihre Kleidung vom Rest der Gesellschaft unterscheiden: Sie tragen Tuniken im römischen Stil, selbstgemachte Sandalen und versuchen, zu einer Art natürlicher Einfachheit zurückzukehren, oder zu dem, was ihnen natürlich erschien.
Diese Suche nach der Rückkehr zur Natur ist etwas, das immer wieder auftaucht, wie der Historiker Martin Green sehr treffend beobachtet hat, dass dieses Thema der Rückkehr zur Natur am Ende jedes Jahrhunderts wiederkehrt. So auch 1790, 1890 und erneut 1990. Andererseits ist die Beschäftigung mit dem Zeitgeist selbst ein Zeichen des Zeitgeistes, denn wir haben keine Anzeichen dafür, dass sich vor dem 18. Jahrhundert irgendeine andere Epoche mit ihrem eigenen Zeitgeist beschäftigt hätte: Was ist der Sinn dieser Epoche, wohin gehen wir? Und vor allem diese Gewohnheit, im Namen der Menschheit zu sprechen, indem man die erste Person Plural verwendet: „Wir gehen. Wir erleben dies.“ „Wir“ bedeutet vage die gesamte Menschheit, aber wir haben nicht den geringsten Hinweis darauf, dass die Menschen, die so sprechen, die öffentliche Meinung untersucht haben, um herauszufinden, ob wir alle so denken. So bleibt die berühmte Frage in der Luft hängen: „Wir wer, blasser Kerl?“ Eine Sache mag für Sie gut sein, aber ein anderer mag etwas ganz anderes empfinden. Daher wird diese Art, unsere Situation als Zeitgeist zu bewerten, selbst zu einem Zeichen der Zeit. Und das wiederholt sich von Zeit zu Zeit und wird zu einer immer intensiveren Konstante. Die Zahl der Menschen, die über unser Schicksal, über unser Leben sprechen, wird immer größer.
Interessanterweise war der Monte Veritá eine Erfahrung, die praktisch alle revolutionären, reformistischen Bewegungen des New Age des 20. Jahrhunderts in sich vereinte. Trotz allem wurde er nie so untersucht, wie es eigentlich hätte sein sollen. Natürlich gibt es einige Historiker, die sich damit beschäftigen, aber es sind nur wenige. In den meisten Fällen betrachten sie dies eher als eine exotische Kuriosität: als wären sie eine Bande von Verrückten. Aber wenn man sich die Vorschläge dieser Bande von Verrückten ansieht, wiederholen sie sich im Laufe der Zeit. Und bis heute erhalten diese von ihnen vorgeschlagenen Veränderungen immer mehr Macht und Geld von Seiten großer Vermögen. Es scheint also, dass die Verrückten gar nicht so verrückt sind, oder? Jemand hat beschlossen, sie zumindest in ihrer praktischen Natur ernst zu nehmen, aber nicht in Bezug auf ihre Studien. Was also von Historikern verachtet wird, wird von den großen Machthabern wie George Soros, Bill Gates und Bilderberg sehr ernst genommen und mit viel Geld unterstützt.
Monte Verità, der Berg der Wahrheit, war also eine naturistische, vegane, okkultistische, künstlerische, erotische, nudistische, revolutionäre Gemeinschaft, die 1900 auf einem 300 Meter hohen Hügel in dem bescheidenen Dorf Ascona im Kanton Tessin in der Schweiz von Henry Oedenkoven, dem Sohn eines niederländischen Industriellen, und seiner Geliebten Ida Hofmann gegründet wurde.
Die erste Person, die dem Professor von dieser Gemeinschaft erzählte, war die berühmte deutsch-brasilianische Astrologin Emma de Mascheville. Mascheville ist der französische Name, den sie von ihrem Ehemann übernommen hatte. Ursprünglich hieß sie Emma Brepohl und verbrachte als Nichte von Ida Hofmann einen Teil ihrer Kindheit dort, bereichert durch den Umgang mit Künstlern und Denkern, Genies und Verrückten aller Art, darunter Carl Gustav Jung, Hermann Hesse, Isadora Duncan, der anarchistische Prinz Kropotkin, Rudolph Steiner, Max Weber, Rudolf Laban, Gustav Stresemann, der während der unglückseligen Weimarer Republik 102 Tage lang deutscher Reichskanzler war und 1926 den Friedensnobelpreis erhielt. Und der ebenso unglückselige Psychiater und Psychopath Otto Gross. Otto Gross wurde von Freud eine Zeit lang als sein Nachfolger an der Spitze der psychoanalytischen Bewegung angesehen, geriet dann aber in immer kompliziertere Schwierigkeiten und ruinierte seinen Ruf.
Obwohl das Phänomen aufgrund der historischen Bedeutung der beteiligten Persönlichkeiten äußerst attraktiv war, erkannten nur wenige, dass sich hier zum ersten Mal in einem großartigen Durcheinander die Keime der wichtigsten künstlerischen und literarischen Stile, kulturellen Moden und politischen Strömungen konzentrierten, die die Geschichte des Westens im 20. Jahrhundert prägen sollten und bis heute prägen. Es war, als hätten sich alle Ängste, alle Unzufriedenheiten, alle Strömungen der politischen, ästhetischen, religiösen und sexuellen Rebellion heimlich unter der scheinbaren Ordnung des industrialisierten und rationalisierten Europas angesammelt, sich wie durch magische Anziehungskraft angezogen, an einem einzigen Punkt der Erde konzentriert, um sich von dort aus über alle Kontinente zu verbreiten. Die Winde des Wandels, die dort zusammenkamen, wehten in alle Richtungen. Trotz seiner inneren Widersprüche und Unvereinbarkeiten verkündete das Programm in seiner Einheit nichts Geringeres als die Reform des Lebens, nicht die Reform der Politik oder eines Regimes, sondern die Reform des Lebens!
Die Bewohner der Gemeinschaft und Besucher, denn nicht alle lebten dort, sondern verbrachten nur einige Zeit dort, sahen in ihrem Berg einen der Endpunkte der Weltachse, Axis Mundi, den richtigen Ort, um eine neue Menschheit (oder eine neue Hölle) zu beginnen. Die tiefe Bedeutung dieser Bewegung und die weitreichenden Konsequenzen, die sie symbolisch ankündigte, lassen sich nur mit einem Rückblick über viele Jahrhunderte hinweg erfassen: Die Geschichte des Monte Verità beginnt in Wahrheit in der Zeit der Kathedralen.
Der Monte Verità taucht an zwei Orten gleichzeitig auf. Einerseits in München, der Hauptstadt Bayerns im Süden Deutschlands, in einer sehr intensiven intellektuellen und künstlerischen Bewegung, und von dort kam die Idee des Monte Verità. Dann gab es Menschen, die schön redeten, Erfahrungen austauschten und schließlich zum Monte Verità oder ähnlichen Gemeinschaften gingen, denn es gab auch andere in der Umgebung. Eine davon wurde von Bakunin selbst, dem Anarchistenführer, gegründet. Aber es handelte sich nicht um eine Gemeinschaft wie die in Brasilien, Colônia Cecília, die formal anarchistisch war. Dort war Anarchismus im viel weiteren Sinne zu verstehen als politischer Anarchismus. Es war ein politischer, religiöser, sexueller, ethischer Anarchismus...
Wenn man historisch zurückblickt, kann man verstehen, wie es im Rahmen der historischen Entwicklung Europas zu dieser Situation kommen konnte.
Wenn wir die Stiche in dem wunderbaren Buch durchblättern, in dem der Architekt Louis Charbonneau-Lassay Bilder von Tieren gesammelt hat, die in den katholischen Tempeln des Mittelalters die Gestalt Christi darstellten, erhalten wir einen Einblick in eine Zeit, in der der Satz „Himmel und Erde preisen die Herrlichkeit Gottes” noch eine konkrete und gegenwärtige Bedeutung hatte. Neben dem Bestiarium wollte Charbonneau-Lassay auch ein Blumenbuch und ein Lapidarium zusammenstellen, denn nicht nur Tiere, sondern auch Blumen und Steine waren sichtbare Manifestationen der göttlichen Gegenwart. Diese Vorstellung war nicht nur ästhetischer, sondern auch wissenschaftlicher Natur, wie beispielsweise in den Werken des Heiligen Albertus Magnus zu sehen ist.
Nur der kleingeistige Geist späterer Epochen konnte in der Alchemie einen groben Vorläufer der modernen Chemie sehen, als Mittel von Fälschern, die sich der Goldherstellung verschrieben hatten. Tatsächlich war sie ein kühner Versuch, das Wirken des Geistes auf die Materie durch ein kompliziertes Netz von Zwischenkräften zu ergründen, darunter natürlich auch die Einflüsse der Sterne. Thomas von Aquin, der seinem Lehrer Albertus Magnus folgt, behauptet entschlossen, dass Gott alle niederen Körper durch die höheren bewegt, die, indem sie auf den menschlichen Körper einwirken, die Funktionen der Intelligenz erobern und Leidenschaften wecken können, die sein Verhalten erheblich verändern können.
Ich halte den Versuch von C.S. Lewis, die mittelalterliche Ästhetik und Symbolik aufzuwerten, ohne auch nur einen Moment lang zuzugeben, dass sie mehr als eine Schönheit ohne Wahrheit enthält, wie es in seinem Buch The Discarded Image: An Introduction to Medieval and Renaissance Literature steht, für einen Akt der intellektuellen Unterwürfigkeit gegenüber der Moderne. Es besteht kein Zweifel, dass er, als er René Guénon als Scharlatan bezeichnete, einen Funken Respekt für das überlegene Verständnis des französischen Schriftstellers für Symbolik hatte. René Guénon war ein Agent des islamischen Imperialismus, aber niemals ein Scharlatan.
Das Aufkommen des Christentums hat die alte heidnische Vorstellung von einem Universum voller Götter, wie Heraklit es nannte, nicht abgeschafft, sondern nur seine chaotische Realität subtiler Naturkräfte in einem symphonischen Ganzen neu organisiert, in dem überall in unendlich variablen Formen die Botschaft Gottes zu hören war. In dieser Welt voller Stimmen fühlt sich der Mensch im christlichen Europa nicht nur durch ein Netz von Bedeutungen mit seiner materiellen Umgebung verbunden, sondern auch durch eine lebenswichtige Verbindung zu allen anderen Mitgliedern der menschlichen Spezies. Johan Huizinga berichtet in seinem Klassiker „Der Herbst des Mittelalters”, dass in den Städten des mittelalterlichen Europas selbst kleinste Ereignisse wie eine Reise oder die Geburt eines Kindes Anlass zu großen Ausbrüchen kollektiver Emotionen gaben. Bei der Hinrichtung eines Verbrechers umarmte der Henker den Verurteilten und bat ihn um Vergebung, während die Menge unter Tränen zusah. Die Sünde wurde nicht als Anomalie betrachtet, sondern als gemeinsames Schicksal der Menschheit, und sie rief nicht zu Verachtung, sondern zu Mitleid auf. Oft beendeten hartnäckige Sünder ihr Leben im Kloster und suchten Erlösung durch Gebete. Getrennt durch soziale Schichtung, Rassen und Klassen, vereint durch religiöse Emotionen, durch die Unterwerfung unter die Sakramente, durch öffentliche Akte der Subsistenz und in den Kreuzzügen durch die kriegerische Solidarität zwischen Adligen und Plebejern.
Verschiedene Faktoren trugen dazu bei, die Einheit des christlichen Imaginären zu zerstören und die Menschen in einer banalisierten und unterdrückenden Welt gefangen zu halten, in der einige unzufriedene Seelen Zuflucht auf dem Monte Veritá suchten. Der entscheidende dieser Faktoren kam natürlich aus der Wissenschaft.
In seinem Buch Il Saggiatore von 1623 führt Galileo Galilei eine Unterscheidung zwischen den primären und sekundären Eigenschaften von Körpern ein. Die ersten, Größe, Proportionen, Gewicht, Bewegung, Position, existierten in den Körpern selbst und hatten zudem den Vorteil, dass sie mathematisch dargestellt werden konnten. Die sekundären Eigenschaften wie Farbe, Geschmack, Klang und Geruch hingen vom menschlichen Beobachter ab und waren daher subjektiv. Galileo behauptet sogar, dass sie objektiv gar nicht existieren, sondern „Produkte unserer Vorstellungskraft” sind. Die Unterscheidung wurde ohne größere Diskussionen von Descartes, Hume, Berkley und Locke akzeptiert und in den Wortschatz der Naturphilosophie und später in den gesunden Menschenverstand im gramscischen Sinne der westlichen Menschheit aufgenommen. Die Folgen waren gewaltig: Mit einem Schlag wurde das gesamte Universum der sinnlich wahrnehmbaren Objekte zweifelhaft. Nur ihre mathematischen Eigenschaften blieben sicher und zuverlässig. Das war gleichbedeutend mit der Aussage, dass die gesamte Menschheit, die Gesamtheit der natürlichen Menschen, in einer illusorischen Welt lebte. Nur Wissenschaftler mit einer soliden mathematischen Ausbildung waren fest in der Realität verankert.
Mit dieser Zweiteilung, wie Professor Wolfgang Smith es nannte, hob Galileo die aristotelische Vorstellung auf, wonach alle Körper aus Materie und Form bestehen und sich durch ihre Form deutlich voneinander unterscheiden. Die Form steht weder auf der galileischen Liste der primären noch der sekundären Eigenschaften. Beide Arten von Eigenschaften sind zwar wahrnehmbar, aber ohne die Hilfe der Mathematik sind sie keine verlässlichen Zeugen der Realität der Objekte mehr.
Diese Zweiteilung leitete das Zeitalter des Phänomenalismus ein, in dem die Menschheit zwischen bloßen Erscheinungen verloren ist, ohne die wahre Realität erfassen zu können, sei sie nun aus mathematischen Archetypen bestehen oder, wie bei Kant, als unzugängliches Geheimnis anerkannt werden. Trotz ihrer praktischen Nützlichkeit für die Naturwissenschaften und trotz des fast heiligen Ansehens, das sie in der Vorstellung der Bevölkerung noch immer genießt, war diese Unterscheidung von unvergleichlicher Grobheit. Die Form im aristotelischen Sinne ist nicht nur die sichtbare Gestalt der Objekte, sondern ihre Formel, ihr Algorithmus, ihr Gesetz der intrinsischen Proportionalität, wie Mario Ferreira dos Santos es nannte, das sie zu dem macht, was sie sind und nicht zu etwas anderem.
Wenn wir dies verstehen, ist es logisch und unvermeidlich, dass jedes Objekt neben seinen primären Eigenschaften eine bestimmte Fähigkeit besitzt, Signale auszusenden, die von verschiedenen Beobachtern je nach der jeweiligen Struktur ihres Wahrnehmungsapparats unterschiedlich aufgenommen werden, aber dennoch die Vielfalt der Eindrücke widerspiegeln, die die innere Einheit des sendenden Objekts hervorbringen. Auch wenn ein Objekt je nach der Wahrnehmungsstruktur jedes einzelnen Empfängers unterschiedliche Signale aussenden kann, gibt es dennoch eine Einheit in der sendenden Quelle. Ein Beispiel: Die Azalee erscheint rot, weil unser Wahrnehmungsapparat die auf sie fallenden Lichtstrahlen so aufnimmt und uns dann das Signal sendet, aber ein anderes Tier kann etwas anderes sehen, eine Mücke zum Beispiel sieht die Azalee nicht als rot, sondern als etwas anderes. Aber woher kommen diese Signale für mich und für die Mücke? Von derselben Azalee. Galileo verwechselt also die Vielzahl der Signale, die an verschiedene Beobachter und Empfänger gesendet werden, mit Objektivismus und Subjektivismus. Und das eine hat absolut nichts mit dem anderen zu tun. Viele dieser Signale und ihre Variationen, je nach Licht-, Raum- und Schallumgebung, sind heute messbar und mathematisch berechenbar, was beweist, dass das, was Galileo als subjektiv betrachtete, vollkommen real und objektiv war.
Der Irrtum der galileischen Konzeption ist fast nichts im Vergleich zu der Weite ihrer kulturellen Konsequenzen. Edmund Hurssel wies darauf hin, dass der Austausch der Objekte der realen Wahrnehmung durch ihre mathematischen Schemata zu unzähligen Sackgassen in Philosophie und Wissenschaft geführt hat, aber ihre wichtigste und unmittelbarste Auswirkung ist, den Zugang zur christlichen Symbolik zu blockieren. Wenn die wahrgenommenen Objekte die realen quantitativen Daten sind, kann der Rest nur symbolisch in der Vorstellung von Dichtern und Verrückten sein. Das immense System der mittelalterlichen Kosmologie reduzierte sich somit auf ein bloßes Wörterbuch der Sprachbilder. Das heißt, diese ganze Symbolik war nicht in der Natur, sondern in der Vorstellung der Menschen, die die Natur betrachteten und sie konzipierten. Anstelle einer natürlichen Symbolik haben wir also ein kulturelles Produkt.
Wenn Himmel und Erde die Herrlichkeit Gottes besangen, hatte dies nicht mehr Wert als die Fantasien eines Betrunkenen. Die Auswirkungen dieser Veränderung waren in den protestantischen Ländern noch tiefgreifender, wo sich Galileos kognitive Askese mit zwei weiteren Faktoren vermischte, um das trockene und strenge Umfeld der bürgerlichen Welt zu schaffen. An erster Stelle stand die visuelle Askese, die die Verehrung von Bildern als Götzendienst verurteilte und mit einem Schlag der mittelalterlichen sakralen Kunst ein Ende setzte. Waren die katholischen Kirchen wie Bücher, die sichtbare Formen einer ganzen Kosmologie hervorbrachten, so waren die protestantischen Tempel nur Versammlungsorte ohne besondere Bedeutung. Bis heute ist das so, und es ist sogar noch schlimmer geworden: Dieser protestantische Stil hat auch die katholische Welt erobert. Heute kann jedes Gebäude dienen, weil es nicht den Regeln der christlichen Symbolik entsprechen muss. Es muss an sich nichts bedeuten. Man kann Dinge wie zum Beispiel diese schreckliche Kathedrale in Brasília schaffen, die wie eine umgedrehte Bananenstaude aussieht, und sagen, dass es eine Kathedrale ist. Um dieses Thema zu vertiefen, empfehle ich die Lektüre des Buches von Michael Rose, Ugly As Sin, das zeigt, was mit der Sakralarchitektur der modernen Welt gemacht wurde.
Das Zusammentreffen dieser beiden völlig unabhängigen Kraftlinien, einerseits die galileische Wissenschaft mit ihrer Reduzierung der sinnlich wahrnehmbaren Erscheinungen auf ein Produkt der menschlichen Vorstellungskraft und andererseits der protestantische Asketismus, der die Bilder unterdrückt und damit die gesamte Ästhetik des christlichen Tempels. Jede Kathedrale des Mittelalters könnte monatelang studiert werden, ohne dass ihr Inhalt jemals erschöpfend wäre. Sie enthält ein ganzes kosmologisches System, die ganze Komplexität eines außergewöhnlichen Reichtums. Man kann sogar sagen, dass praktisch die gesamte christliche Lehre dort in Stein gemeißelt ist. Und das nicht nur, weil die Menschen es so wollten, sondern weil der Tempel selbst in seiner physischen Existenz genau das dokumentieren sollte, was er verkündete. Diese Einheit von Sinn, Form und religiöser Erfahrung ging durch das Zusammentreffen verschiedener Faktoren verloren.
Die Symbolik verschwand nicht nur aus der Volksvorstellung, sondern auch aus dem irdischen Rahmen. Zweitens der Prädestinationismus, der im Voraus die Auserwählten und die Verdammten trennte. Da es jedoch keine Möglichkeit gab, sie im wirklichen Leben zu unterscheiden, blieb dem Gläubigen nur die Alternative, sich in der Öffentlichkeit so zu verhalten, als wäre er einer der Auserwählten, um Skandale zu vermeiden. Es wurde also zu einer Verpflichtung. Wenn wir nicht wissen können, ob wir auserwählt oder verdammt sind, aber wenn ich mich wie ein Verdammter verhalte, gebe ich ein schlechtes Beispiel, dann bin ich tatsächlich verdammt. Also muss ich mich so verhalten, als wäre ich einer der Auserwählten, auch wenn ich einer der Verdammten bin.
Die Solidarität der Heiligen und Sünder im gemeinsamen Leiden des menschlichen Schicksals wurde durch das asketische Zusammenleben der Auserwählten ersetzt, die eine sakrosankte Abscheu vor den Abweichlern und Verdammten pflegten. Das ist der Ursprung des Moralismus, während es im Mittelalter eine ganze Mischung gab, ein Durcheinander von Heiligen und Sündern in sehr großer Nähe. Die Geschichten von Bekehrungen von Dieben, Mördern, die Szenen öffentlicher Reue, all das war im Mittelalter sehr verbreitet. Plötzlich heißt es: Hier sind wir und dort sind die Sünder, und wir mischen uns nicht in ihre Angelegenheiten ein.
Die Moral wurde so untrennbar mit Anstand, Sparsamkeit in Kleidung und Verhalten, Höflichkeit und gutem Auftreten verbunden. Plötzlich ist Europa voller Menschen in schwarzer Kleidung. Eine schlichte Kleidung ohne all diese Verzierungen, ohne all diesen Schnickschnack. Verzierungen, die nicht nur dem mittelalterlichen Adel vorbehalten waren, sondern eine ganze Klassenstruktur kennzeichneten: An der Kleidung konnte man die soziale Herkunft einer Person und sogar ihren Beruf erkennen. All das verschwindet. Es entsteht eine Uniformität in der Kleidung, zumindest unter den Menschen dieses bestimmten sozialen Niveaus. All das, was in der Moderne, vor allem im germanischen und angelsächsischen Raum, zusammen mit dem wachsenden Ansehen der Medizin das Bild der Normalität prägte. Diese Vorstellung von Normalität gab es im Mittelalter nicht, es war nicht ungewöhnlich, dass jemand verrückt war. Jede Stadt hatte ihren Verrückten. Ein sichtbares Symptom dafür war die Veränderung in der Kleidung. Die Kleidung des alten Adels mit ihren Verzierungen, Wappen und bunten Stoffen war wie ein Stammbaum, an dem der Betrachter anhand des heraldischen Zeichens sofort die soziale Stellung des Individuums, seine staatliche Aufgabe und sogar die Geschichte seiner Familie erkennen konnte. Plötzlich verschwand all dies und wurde durch die strenge Einheitlichkeit schwarzer Kleidung ersetzt. Ein Pastor unterschied sich nur durch ein sehr diskretes Zeichen von einem Kaufmann oder einem Beamten, nämlich dadurch, dass er eine Bibel unter dem Arm trug, während der andere ein Buchhaltungsbuch mit sich führen konnte.
Die moderne Psychiatrie nennt als eines der ersten Anzeichen des depressiven Syndroms die Desimaginierung, die Verarmung der Vorstellungskraft. Als eine Art Ausgleich wendet sich die Vorstellungskraft mehr der Welt der individuellen Emotionen zu. Hier beginnt das romantische Genre, das sich mehr mit den Dingen der individuellen Seele, der Intimität, beschäftigt, und wir beginnen zu verstehen, wovor die ersten deutschen Autoren und Exilanten vom Monte di Verità flohen.
Aber damit ist es noch nicht getan. Von der Antike bis zum Ende des Mittelalters wurden Herrscher, Könige und Kaiser nur anerkannt, wenn sie von der Kirche geweiht waren, in Übereinstimmung mit der traditionellen Vorstellung, dass Jesus Petrus und niemand anderem die Schlüssel zu den beiden Reichen gegeben hatte: der geistlichen Autorität und der weltlichen Macht. Luther und Calvin, die die Autorität der Kirche abgelehnt hatten und nicht einmal die Idee eines Klerus akzeptierten, geschweige denn die apostolische Nachfolge, hatten keine andere Wahl, als zu dem Schluss zu kommen und zu verbreiten, dass die Autorität der zivilen Herrscher direkt von Gott kam, ohne Zwischeninstanzen. Ironischerweise erfanden ihre Schüler später, und bis heute glaubt die amerikanische evangelikale Masse fest daran, dass die katholische Kirche das göttliche Recht der Könige erfunden habe, von dem die leidende Menschheit durch die Reformation befreit worden sei. Tatsächlich war es jedoch die protestantische Reformation, die dies erfunden hatte. Dadurch wurden die Macht und der Stolz der Herrscher in den siebten Himmel erhoben, während gleichzeitig die protestantischen Kirchen, die die freie persönliche Auslegung der Bibel anstelle des Gehorsams gegenüber dem Lehramt und der Tradition predigten, in tausend verschiedene Sekten zerfielen und sich für die Nachwelt gegen das Monster, das sie selbst geschaffen hatten, entwaffneten. Wenn man den Herrscher als Gesandten Gottes darstellt und dieser Herrscher beginnt, das Volk zu unterdrücken, gibt es keine einheitliche Kirche mehr, die reagieren kann, sondern tausend getrennte Sekten.
Es ist nicht verwunderlich, dass der Nationalstaat von da an seinen Aktionsradius immer mehr ausweitete und Bereiche usurpierte, die früher dem Heiligen unterstanden, wie Bildung und Moral. Die Philosophie, die sich in den folgenden Jahrhunderten im protestantischen Deutschland entwickelte, trug entscheidend zu diesem Ergebnis bei, das sicherlich weder Luther noch Calvin auch nur im Traum vorausgesehen hatten. Immanuel Kant (1724-1804) vertiefte den Abgrund, den Galileo zwischen menschlichem Wissen und der Welt aufgerissen hatte. Er glaubte entdeckt zu haben, dass alles, was wir wissen, nur die Struktur unserer Wahrnehmung und unseres Denkens widerspiegelt und nicht unbedingt die Dinge selbst. Er leugnete nicht die Existenz der Dinge, sondern behauptete, dass wir nur das erkennen können, was uns erreicht, sei es durch sinnliche Erfahrung, die durch die Form unserer Wahrnehmungsorgane bestimmt wird, sei es durch unser Denken, das nichts anderes hervorbringt als formale Schemata, die sich aus der Struktur unserer Vernunft ableiten. In beiden Fällen blieben die Dinge an sich, d. h. die Dinge, die unabhängig vom menschlichen Beobachter betrachtet werden, außen vor. Das Ergebnis: Es gibt kein objektiv wahres Wissen mehr, sondern nur noch das Wissen, das den Anforderungen der Vernunft in ihrer höchsten Entwicklungsstufe in der gegebenen Situation entspricht.
Dies festigte ein für alle Mal die Macht der wissenschaftlichen Klasse als Inhaberin des einzig gültigen Wissens, während die übrigen Menschen in einer Welt der Erscheinungen umherirrten. George Hegel ergänzte und widersprach Kant zugleich, als er feststellte: Der höchste und am weitesten entwickelte Ausdruck der menschlichen Vernunft seien nicht die Wissenschaften, sondern der Staat, von dem das gesamte System der Wissenschaften nur ein Teil und Instrument sei. Und die Idee setzte sich durch. Bis zur Zerstörung des Landes durch zwei Weltkriege war es der Traum jedes Deutschen mit einem gewissen IQ, ein kompetenter Diener der Staatsmaschinerie zu werden, sei es als Beamter in der Verwaltung, der Justiz oder der Polizei, als Offizier der Streitkräfte, als Universitätsprofessor oder Wissenschaftler.
Es gab noch eine weitere Implikation: Da es nicht möglich war, die Dinge an sich zu erkennen, war es umso weniger möglich, etwas über das zu wissen, was jenseits der Grenzen der sinnlichen Erfahrung lag, nämlich Gott, die geistigen Welten und die Unsterblichkeit der Seele. Aber er sagte, dass wir an diese Dinge glauben sollten, oder zumindest so tun sollten, als ob wir daran glaubten, dass dies die Pflicht eines jeden sei. Das heißt, wir können nichts über Gott und die Unsterblichkeit der Seele wissen, aber wir müssen an diese Dinge glauben, denn wenn wir nicht glauben, sind wir nicht menschlich genug. Er erlegt also als moralische Verpflichtung auf, was er selbst als kognitiv unmöglich bezeichnet hat.
Kant führte damit die protestantische Reduzierung der Religion auf Moral und der Moral auf Anstand zu ihren letzten Konsequenzen. Unsere Vorstellungen von der Unsterblichkeit der Seele, von Gott, haben also keine kognitive Grundlage, sondern eine moralische, sodass die Moral über allem steht, sogar über der Erkenntnis der Realität. Das Verhalten des anständigen Menschen, der seine Pflichten erfüllt, spiegelt sich im Erfolg seiner Unternehmungen wider und berechtigt ihn, wenn er religiös ist, sich als einer der Auserwählten zu fühlen. Und wenn er es nicht ist, wird er in der Gesellschaft gut akzeptiert, wo sich das Verhalten des Gläubigen und des Atheisten im gemeinsamen Kult der Anständigkeit vereint und durch die gleiche kompromisslose Strenge in der Verteidigung der Erscheinungen gekennzeichnet ist, die sich nicht wesentlich voneinander unterscheiden.
In der zweiten Hälfte des 19. Jahrhunderts machte der wirtschaftliche Fortschritt das 1871 vereinigte Deutschland zum am stärksten industrialisierten und reichsten Land Europas, mit einer schrecklichen Armee, deren Ansehen durch den Sieg im Krieg gegen Frankreich 1870 und 1871 gestärkt wurde, einem akademisch-wissenschaftlichen Establishment, das Ruhm auf Ruhm häufte, einer wachsenden Bevölkerung von über 50 Millionen Einwohnern. Der kulturelle, politische und wirtschaftliche Einfluss Deutschlands beherrschte das weite Gebiet um das Österreichisch-Ungarische Reich herum und eine Vielzahl von Völkern wie Ungarn, Serbokroaten, Polen, und all das hob die Überheblichkeit der herrschenden Bourgeoisie und ihr Wertesystem in den Himmel, das wie eine Festung, ein unzerstörbares Gefängnis erschien.
Dies lässt sich in Jakob Wassermanns Buch Der Maurizius-Prozess beobachten, in dem die Figur des jungen Etzel Andergast, Sohn eines dieser Potentaten, Richter oder so etwas, erkennt, dass etwas in dieser Welt nicht stimmt, aber nicht genau weiß, was es ist.
Die Mauern des Gefängnisses wiesen jedoch einige Risse auf. Der sichtbarste ist der sozialistische Widerstand, der zusammen mit der katholischen Partei des Barons und Bischofs Emmanuel von Ketteler, bekannt als „Bischof der Arbeiter”, etwas politische Macht erlangte und den Kulturkampf von Fürst Bismarck in dem organisierten Bestreben der Regierung, jeden Einfluss der römischen Kirche in Deutschland auszurotten, blockierte. Aber der Katholizismus blieb in der Minderheit und konnte der zivilen Religion des Patriarchalismus keinen Kratzer zufügen. Die Kirche konnte ihr Territorium verteidigen, aber insgesamt änderte sich nichts.
Der zweite Riss war die okkultistische und theosophische Manie, die sich in gebildeten Kreisen als fast instinktive Reaktion auf den bürgerlichen Kult der Vernunft, der Wissenschaft, der Technologie und des wirtschaftlichen Fortschritts ausbreitete und sogar die Sympathie einiger Stars im akademischen Universum gewann. Berühmt wurden die spiritistischen Sitzungen, in denen die Medien schworen, die Existenz der geistigen Welt durch Botschaften aus dem Jenseits zu beweisen. Ab 1875 wurden nicht weniger als 209 Okkultismus-Clubs in den wichtigsten deutschen Städten gegründet, die ihre Aktivitäten mit 69 kommerziellen Unternehmen teilten, die sich mit Astrologie, Radiästhesie, Handlesen, Magnetismus usw. befassten. Eng verbunden mit dieser Bewegung entstanden mehrere Naturheilkliniken, die in der Regel auf strengem Vegetarismus basierten, wobei sogar Eier, Milch und Fisch verboten waren. Die Lehrmeinungen variierten stark, darunter auch die Ariosophie, die das natürliche Leben mit der Reinheit der Rasse verband und einen – wenn auch bescheidenen – Einfluss auf die nationalsozialistische Ideologie haben sollte.
Überall hallte aus diesem Umfeld der Ruf nach einer „Rückkehr zur Natur” wider. Das Buch „Fruit and Bread: A Scientific Inquiry into the Origin of the Human Diet” (Obst und Brot: Eine wissenschaftliche Untersuchung über den Ursprung der menschlichen Ernährung) des Hannoveraner Arztes Gustav Schlickeysen war sogar in Amerika ein Erfolg. Es predigte völlige Abstinenz von Fleisch, Alkohol, Tabak und Kaffee und empfahl Homeschooling und den allgemeinen Austausch bürgerlicher Kleidung gegen Unterröcke. Leider zeigt das einzige Foto, das von diesem Autor gefunden wurde, ihn in konventioneller Kleidung, dem lebenden Bild germanischer Abstammung.
Im Zuge der Rückkehr zur Natur entstanden auch zahlreiche ländliche Gemeinschaften, deren Bewohner biblische Gewänder trugen, Sandalen an den Füßen hatten und sich ausschließlich von rohem Gemüse ernährten. Die bekannteste war die der Maler Karl Wilhelm Diefenbach und Hugo Hoppner oder die von Gusto Gräser, der, nachdem er fünf Monate im Gefängnis verbracht hatte, weil er sich vor dem Militärdienst gedrückt hatte, und sich einem Wanderleben gewidmet hatte, in dem er einige dieser Gemeinschaften durchlief, zu einer der herausragenden Persönlichkeiten des Monte Veritá wurde.
Damit lässt sich das gesamte psychologische Umfeld verstehen, das sich über Jahrhunderte hinweg entwickelt hat und an einem bestimmten Ort im Kosmos diese Sehnsucht nach einer idyllischen Natur hervorgebracht hat, die in Wirklichkeit völlig imaginär ist und absolut nichts Natürliches an sich hat. Als natürlich versteht man beispielsweise das Primitive, das, was am ältesten ist. Aber egal wie weit man in der Zeit zurückgeht, man wird keine menschliche Gemeinschaft finden, die gleichzeitig sexuelle Freiheit und gastronomische Askese praktiziert hat – das hat es nie gegeben, das wurde in Deutschland unter dem Namen „natürlich” erfunden, hat aber nichts mit Natur zu tun, weder im biologischen noch im historischen Sinne. Schlimmer noch: Aus dieser Zeit stammen unzählige psychologische und moralische Verwirrungen, die noch immer das Gefüge unseres Alltagslebens prägen, insbesondere in Bezug auf die Sexualmoral.
Heutzutage wird die christliche Sexualmoral offen in Frage gestellt, nicht nur von Gemeinschaften wie dieser, sondern auch von Regierungen und Finanzmagnaten. Die Leute von Monte Verità haben erkannt, dass etwas mit der industrialisierten, rationalisierten Gesellschaft nicht stimmt, und sofort einen Ausweg, eine Lösung erfunden, ohne auch nur eine Minute darüber nachzudenken, woher all das gekommen ist. Diese Geschichte, die vom Mittelalter bis heute reicht, wurde von allen Mitgliedern der Bewegung völlig ignoriert. Dies ist zu einem der typischen Merkmale der modernen Kultur geworden: Lösungen für Probleme vorzuschlagen, die man einfach nicht untersucht hat und von denen man nicht wissen will, wie sie entstanden sind. Das zeugt von einer regelrecht psychotischen Entfremdung: Wenn man das Problem nicht kennt, wird man bei der Lösung Fehler machen, und natürlich wird diese Lösung, wenn sie angenommen wird, das Problem verschlimmern und neue Probleme hervorrufen, die noch weniger verstanden werden.